
DIÁRIO DA MADRE


Tenho alguns sintomas nítidos de perturbação.
Sinto-me abandonada em meus desejos mais íntimos. Qual seria o remédio? Fugir?
Entorpeço-me. Rogo pela beleza do amor romântico. No primeiro passo, falho. Todas também falham. Percebo: Vejo amor em outra. Mas não o amor que eu queria. Não digo a ninguém o que sinto. Até digo, mas só quem me entende é quem me atende a toda hora:
Eu mesma.
Gosto de me amar. É preciso amar a si, bem fora dos tons egóicos.
Falo de ter fé consigo, de autoconhecimento renovado. Renovado, não reservado.
Para bem além de computadores e internet, a gente gosta da demonstração dos afetos. De se sentir livre. E sentir uma parceria relacional gostosa.
Ainda tou aprendendo mais sobre “me amar”. Todavia manifesto aqui minha vontade de ser amada... Um dia alguém entende o manifesto e me atende. [Triiim]
Decido-me. Arriscarei. E se eu quiser voltar? Talvez não haja volta. Vou mesmo assim.
A avenida João Pessoa transforma-se em segundos na avenida Paulista.
O trem não era das 7, nem das 11... Desembarquei no Trem das 333.
Enquanto pensava no novo, não rompia com o velho. Mas quando tirei o véu do rosto, eu revi meu céu.
Então encontrei alguns passageiros que pareciam passar pelo mesmo, diante do peso da vida. Dancei minha verdade com elas e eles. Deixamos tudo mais leve! Parecia que já nos conhecíamos há anos.
Eu não tinha dois reais no bolso! Mas me sentia amada pela bagagem da minha própria luz.
Quem é dona de mim se não eu mesma?
Tudo que fiz na vida, eu fiz por amor.
Engoli e continuo engolindo o meu lado possessivo. Porque aprendi que faz mal. Mas muito mais mal faz a falta de ouvir o outro.
A mentira de quem mente, é proporcional à mentira que é aceita em silêncio? Posto que ali também se mente.
Complicado né?
Dou de ombros para quem me bloqueia. Dou adeus para quem não percebe minha viagem!
Horizonte! Vejo sol, lua, estrelas. E entendo que sem mim eu não vivo.
“E a vida continua!”






