
DIÁRIO DA MADRE


“Sentadas,
Juntas,
Vejo a luz do fim do mundo, que não tem fim.
O vento sopra todos os dias em meus ouvidos
Que é preciso clareza para vencer tantas feridas.
Hoje eu sou como vento, só que com minhas formas reluzentes.
Não há costas, não há frente, sou meu próprio reflexo.
E... Eu vim te soprar:
_Não há temor na liberdade."
“A pureza em teu semblante me fascina...
Melodia conhecida.
Soa como uma lembrança sendo vivida...
O que seria de nós, sem as lembranças?”
“Talvez o 'esquecimento'... e ainda assim amor.
Você se lembra como e quando, cada uma delas e deles, veio até você?”
“Eu amo tudo isso, mas...
Eu não quero nenhum segredo agora. É chuva de despedida.
Eu posso até sentir as ondas geladas de uma longa maré febril submergindo meu coração e pés... Fomos mulheres tão fortes e somos. Aqui os homens também foram bravas mulheres.
Engraçado, eu posso ler o que acabei de dizer no controverso leito dos teus olhos invisíveis...”
“Disfarça e segue o ritmo dos teus olhos loucos.
Transporta toda a magia das tuas tristezas para música.
Faz de mim teu porto seguro nas horas tristes.
Mas transfere alegria para essa gente que te quer bem.
Há muito a ser vivido.
Outros tantos,
E todos esses que te entendem.
Vai...
Na névoa, faça a flor."
“...Não entendi o final:
Na névoa, faça a flor?”
“Sim.
Reconhece que a semente está plantada para sempre?
Agora faça florescer.
Não temam a liberdade...
Ainda que separados sempre estarão juntos.
Proliferem os girassóis...
Na
névoa,
faça
a flor”.
“Eu levo seus olhos loucos, no meu coração...” (verso cantarolado, junto a um instrumental poético... com abundância de sensações... por arranjos sutis, de um instrumental que estará tocando do início até o fim da cena).






